Com três mortes confirmadas — duas delas em águas doces —, Corpo de Bombeiros reforça efetivo para conter a escalada de acidentes no litoral e interior.
O início da temporada de veraneio no Rio Grande do Norte desenhou, logo nas primeiras 96 horas de 2026, um cenário de alerta máximo para a segurança aquática no estado. Entre o feriado de Ano Novo e o dia 4 de janeiro, o Corpo de Bombeiros Militar (CBMRN) contabilizou 36 resgates de vítimas de afogamento, um volume de ocorrências que expõe uma aceleração dramática em relação ao ano anterior. Para se ter dimensão da gravidade, o número acumulado nestes quatro dias já representa quase metade (43%) de todos os 82 casos registrados durante todo o mês de janeiro de 2025. A estatística sugere que, sem uma mudança comportamental dos banhistas, a "Operação Verão" deste ano enfrentará um desafio sem precedentes.
Apesar do esforço preventivo, a imprudência e as condições das águas já cobraram um preço irreversível: três óbitos foram confirmados pela corporação neste curto intervalo. O detalhamento dessas fatalidades quebra o estigma de que o perigo reside apenas no mar revolto: duas das três mortes ocorreram em águas doces (rios, lagoas ou açudes), enquanto apenas uma foi registrada em água salgada. O dado serve como um aviso contundente para quem busca o turismo no interior ou em áreas balneares menos vigiadas, onde a ausência de correnteza aparente muitas vezes mascara fossos e relevos submersos traiçoeiros.
Para tentar frear essa curva ascendente de acidentes, o comando da Operação Verão 2026 ordenou a ampliação imediata da malha de segurança. A estratégia envolve não apenas o reforço do efetivo e a extensão das escalas de serviço, mas a abertura de novos postos de guarda-vidas em pontos críticos do litoral e em áreas de grande concentração de banhistas. A tática é saturar as praias e balneários com presença oficial para reduzir o tempo de resposta entre o incidente e o salvamento, fator determinante para evitar que o afogamento evolua para óbito ou deixe sequelas neurológicas graves.
No entanto, a barreira física dos bombeiros tem limites. A corporação enfatiza que a maior parte das tragédias segue um roteiro evitável, permeado pelo desrespeito às sinalizações e pela combinação perigosa entre álcool e banho de mar. Além da supervisão constante de crianças — o grupo mais vulnerável a afogamentos silenciosos —, o CBMRN alerta para riscos biológicos sazonais, pedindo comunicação imediata em caso de avistamento de caravelas-portuguesas. O sucesso da temporada, portanto, depende menos da capacidade de resgate e mais da "autoproteção" de quem frequenta as águas potiguares.


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